Quem Sou

Prazer, eu sou a Fernanda Ramirez. Na verdade meu nome inteiro é Fernanda de Aragão e Ramirez. Assim mesmo, com “e” minúsculo. É quase uma oração completa, tivesse um verbo. Academicamente tenho assinado só Fernanda Ramirez, para facilitar as normas da ABNT (SOBRENOME, Nome) nas citações bibliográficas. Isso porque quando eu terminei o mestrado, a bibliotecária responsável por fazer a indexação do trabalho se perdeu nas vias deste “e” minúsculo. Então eu virei “Aragão e Ramirez, Fernanda de”. E o incômodo com meu “de” na sobra, na rabeira, veio pá-pum. Junto com um Aragão na dianteira, que poucos conhecem. Só que prestígio faz todo o sentido quando você tem um trabalho, uma idéia, uma pesquisa ou uma linha de pesquisa. E nesta vaidade que me cai nos braços, não vejo quem não queira ser facilmente encontrado, achado, disponibilizado, citado. Foi desta feita, passado os dias de angústia, que achei por bem eliminar o “e” em troca de perder o “de”. Mas “Ramirez, Fernanda de Aragão” não me pareceu justo. Pareceu existir uma Fernanda fragmentada, gritando em dispersão. Foi aí que eu simplifiquei de vez: “Ramirez, Fernanda”. Limpo, claro, e uma coisa tipo “identificação ao pai”.  

A psicanálise me chegou em vias de minha mãe, uma mulher lacaniana e coisa e tal. Em 1997, um ano após eu ter ingressado na Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas, entrei para o Projeto de Extensão “Iniciação em Basquetebol”, cujo responsável (ainda hoje) é o Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes. Naquela época eu tinha um claro objetivo: liderar uma equipe de basquetebol e ganhar todos os campeonatos possíveis o que, obviamente, me levaria a ter uma carreira de sucesso. Então, quando me surgiu a oportunidade de estagiar, eu topei no ato: uma turma de meninas entre 10 e 12 anos. Cheguei em substituição à uma professora que elas adoradam e a rejeição foi me escancarada logo no primeiro dia. Na época eu nem sabia nada sobre transferência e coisa e tal, mas sabia que existia algo que escapava aos diversos métodos de ensino. Inclusive aqueles que eu andava aprendo em sala de aula com os gabaritados professores doutores. Não nego, tive a sorte de uma boa formação acadêmica, mas não me bastava. Não naquele momento, para aquela situação. Primeiro eu achei que dinâmicas de grupo e algumas coisas da psicologia me aliviariam. Deu certo, mas ainda assim eu ia chegando à conclusão de que as didáticas não davam conta de um algo que eu não sabia bem explicar o que era. Foi quando eu pulei da psicologia para a psicanálise. Eu queria descobrir este algo que as teorias não davam conta. Daí a coisa toda começou. Eu entendi que este algo que as teorias não davam conta era o próprio sujeito, mas não um sujeito qualquer, o sujeito do inconsciente, estruturado como linguagem, nos dizeres de Lacan.

Com tudo caminhando, em 1999 eu desenvolvi uma monografia sob o título “uma perspectiva psicanalítica para o treinamento de base em equipes de basquetebol”, trabalho que me abriu as portas do mestrado e do doutorado. Só hoje, ao escrever esta apresentação, faço as contas de que já se passaram dez anos desde que fui fisgada pela psicanálise. E neste tempo de construção, alguns outros trabalhos foram feitos, e publicados:  

RAMIREZ, F.
Transferência em Jogo: considerações psicanalíticas sobre o inter-dito em Pedagogia do Esporte.
Dissertação de Mestrado. FEF / UNICAMP.

RAMIREZ, F. 
Um psicanalista no futebol: como a ciência transforma os jogadores de sujeitos em objetos.
In: Cidade do Futebol, 2008.
* Resumo do capítulo “O futebol que driblou o sujeito e emplacou o objeto”, devidamente identificado abaixo. 

RAMIREZ, F.
O futebol que driblou o sujeito e emplacou o objeto. 
In: COZAC, J. R. Com a cabeça na ponta da chuteira: como a psicologia entra em campo a favor do Atleta. São Paulo: Annablume, 2003, p.57-71.

RAMIREZ, F. 
A Pedagogia do Esporte escuta a psicanálise. 
In: 2º Congresso Científico Latino-Americano UNIMEP/FIEP e 2º Simpósio Científico Cultural em Educação Física e Esportes BRASIL/CUBA, 2002, Piracicaba. O esporte como fator de qualidade de vida, 2002. p. 460-463. 

RAMIREZ, F.
A psicanálise enquanto elemento das ciências desportivas
In: Lecturas en Educación Física y Deportes. Buenos Aires: Revista Digital, ano 7, n35, abril de 2001. 

RAMIREZ, F. 
Uma perspectiva psicanalítica para o treinamento em equipes de base de basquetebol
Monografia. Faculdade de Educação Física, Universidade Estadual de Campinas, 1999. 

Entre os anos de 2003 e 2006 eu me dediquei ao Ensino Superior, ministrando disciplinas relacionadas as Pedagogia e Psicologia do Esporte, além de realizar algumas palestras especificamente relacionando a Psicanálise ao Esporte. Para saber mais, acesse meu Currículo Lattes. Em 2007 eu ingressei no doutorado com o firme propósito de dar continuidade aos meus estudos e investir minhas ações nas funções de plestrante e escritora. E, aproveitando este retorno ao ambiente da pós-graduação, desde então tenho me esforçado em estabelecer um espaço para a divulgação científica da interface Psicanálise e Esporte. Dentre outros projetos, como uma lista de discussão (brevemente disponível), surge a idéia deste blogue, um meio democrático para a informação, além de ser um espaço de aproximação com os interessados ao tema.  

Enquanto outros projetos estão sendo realizados neste intuito de divulgar os caminhos de interface entre a Psicanálise e o Esporte, quero deixar-lhe minhas boas-vindas e minha disponibilidade. E, já que você chegou até aqui, aproveite para fazer uso da palavra deixando alguma mensagem.

Espero que tenha gostado do espaço. 

Um fraternal abraço. 

Fernanda (daquela, a Ramirez, e das outras também). 

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18 comentários em “Quem Sou

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  1. Boa tarde

    Fernanda

    Como tudo o que é sério se destaca eis o seu site em primeiro lugar quando em uma busca despretenciosa pelo “Google” pesquisei “Psicanálise e esporte”.
    E assim gostaria manifestar minha satisfação e elogios ao site, como ao seu conteúdo.

    Fernando de Assis Bento

  2. Olá, Fernanda

    Sou da Cidade do Futebol e gostaria de saber da sua disponibilidade para conceder uma entrevista ao nosso site, para comentar um pouco sobre o comportamento humano dentro do futebol, em cima de um lance mais factual: o “gol de mão” do atacante Adriano, do São Paulo, na vitória do seu time por 2 a 1 sobre o Palmeiras.

    Como sugestão do Tostão, em sua coluna desta semana na Folha de S. Paulo, há possibilidade de se medir a ambição humana e os aspectos éticos quando um objetivo comum é posto à prova?

    Se não fossem tão vigiados e punidos, atletas e árbitros realizariam tais atos? Seria pior?

    Enfim, se houver disponibilidade e intenção de sua parte, agardeço o contato.

    Abraço e parabéns pelo blog!

    Bruno Camarão

    (11) 9179-0078

  3. Olá,Fernanda!
    Que intessante,pesquisando psicanálise e esporte, eis que seu site é o primeiro a aparecer. Gostaria de obter mais informações nessa áera. Estou adorando seu site!
    Abraços,
    Stéphanie

  4. Olá Fernanda!

    Mas que boa surpresa encontrar o seu site! Sou psicóloga e trabalho como psicóloga do esporte com uma equipe infanto-juvenil de tênis em Santa Maria/ RS há 5 anos. Nesse período venho construindo uma proposta de intervenção não convencional à área, pensar o esporte desde uma perspectiva psicanalítica ( comreferência em Freud e Lacan) já que é por aí que faço minha formação.
    Ano passado ingressei no mestrado em Psicologia Social e Institucional do Instituto de Psicologia da UFRGS. Minha dissertação tarta-se de uma pesquisa psicanalítica aonde busco essa interface psicanálise/esporte pensando especialmente o alto rendimento. Inclusive na banca de qualificação havia psicanalistas e professores de educação física! No entanto, até então não havia encontrado alguém da sua área tão transferenciada com a psicanálise! É uma pena que o meu pós exige doutores na banca, senão certamente seria interessante tê-la para discutir meu trabalho final!
    Espero que possamos manter conato e trocar idéias!
    Um abraço, Mariana

  5. Fernanda,

    Mandei um e.mail, hoje, mas ele retornou, sobre o texto “A psicanálise enquanto….” Me propus a preparar um trabalho seguindo o viés contrário do que seria considerado como normal. É comum nos trabalhos acadêmicos as práticas corporais serem abordadas como terapêuticas, ou na teoria freudiana (Mal Estar na Civilização) como uma substituição a um desprazer etc. Fazendo o caminho contrário, quero posicionar a EF como uma prevenção “inconsciente” às neuroses, de que fala Freud.

    Inconsciente porque, à medida que se tem consciência dessa função, ela deixa de ser fonte de prazer e passa a ter função terapêutica.

    Tenho usado muito Foucault, para explicar a questão da disciplina.

    Não sou da área de Educação Física/ minha filha que é Tatiana Colares Cocco/ Sou de Letras e sócio-psicologia/e o meu trabalho é contrário ao dela.

    VOCÊ JÁ PENSOU NUM TRABALHO MULTIDISPLINAR DENTRO DE UM PRESIDIO? EU JÁ PENSEI. DIREITO/ANTROPOLOGIA/SOCIOLOGIA/EDUCAÇÃO FÍSICA/PSICANÁLISE.

  6. Fernanda,
    Sou acadÊmica do ultimo ano de ed.fisica e preciso delimitar minha pesquisa!!!Preciso de ajuda!Sempre gostei de observar o comportamento das pessoas em relação ao outro, a si mesmo, a sociedade, aos principios…atualmente estou trabalhando como voluntaria num bairro considerado “perigoso” aqui de Santarém do Pará; pretendia desenvolver meu tcc nessa linha: filhos de presos, detentos, comunidade…a fim de discutir o conceito de violencia a partir de vivências ludicas ou não em ed. fisica.

  7. oi fernanda, foi um prazer encontra seu site navegando pela web.tbem sou graduado em e.f , e começo minha pós agora dia 14/3 em docência no ensino superior.pretendo fazer mestrado em educação, e achei mto legal a sua correlação da psicanalise com a e.f. pois tbem faço psicoterapia há 8 anos.gostaria d saber se posso te incomodar de vez em qdo , para te pedir algumas sugestões? gde abs , mauricio horta.

  8. Fernanda:

    Sou formada em Ed. Física, em 1986, e mais tarde fiz curso de formação em psicanálise e hj atuo como psicanalista. Atendo atletas de um time de futebol de minha cidade e façoum trabalho bastante interessante. Podemos trocar informações e experiências. Parabéns pelo blog.
    Um abraço.
    Marcia

  9. Gostei,bastante bastante deste site. Sou Prof.Ed.Física 6 anos,atualmete curso psicologia, pretendo seguir a escola da psicanálise. Desejo trocar informações, um abraço – Dolário

  10. Olá Fernanda!

    Sou psicóloga e agora estudante da psicanálise (Freud à Lacan), estou fazendo algumas pesquisas para minha monografia, pesquisando psicanálise e esporte achei o seu blog o qual adorei.

    Será que podemos trocar algumas informações.

    Obrigada,
    Ana Lucia

  11. Olá, Fernanda. Sou psicóloga e recentemente tenho recebido pacientes atletas. Eles não vêm com o objetivo de preparação específica, mas são atletas de alto nível e a competição é o seu trabalho. Questões emocionais/psicológicas pessoais podem facilitar ou atrapalhar o rendimento no trabalho , como a qualquer indivíduo.gostaria que você me indicasse material para estudo, no esporte individual.
    Se possível,como posso entrar em contato com você?
    Obrigada, Francil Fava Pinto

  12. Fernanda, sua escrita reflete a busca sincera, seja na academia, seja narte, seja na vida, imprescindível a todos que buscam (mesmo sem o saber) a sinceridade para com a existência e sua posição no tabuleiro universal. Parabéns e continue assim, pois independente de louros, o pássaro que carrega as gotas de água em seu bico, faz o serviço necessário a apagar incêndios. E nem é muito a ação dele, e sim, a intenção! Ela, sim, faz moverem as causas. Beijo

  13. Prezada Fernanda, meu nome é Jefeson Retondar, além de professor adjunto de Educação Física da UERJ conclui ano passado minha formação em teoria psicanalítica no CBP-seção RJ e estou em vias de terminar ano que vem minha formação completa em psicanálise. Fui fisgado pela “peste”, parafraseando Freud falando a Jung… Pois bem, no semestre passado ministrei disciplina optativa na graduação em ducação física sobre anorexia e psicanálise e tive mais receptividade do que imaginava. Será lançado ainda este semestre um livro organizado pelo prof. Rafael Matos, tambem do IEFD-UERJ sobre imagem coporal sonb diversos olhares. Neste livro tenho um capítulo sobre o lugar do corpo no pensamento psicanalítico freudiamo. POis bem, meu e-mail é retondar@oi.com.br e gostaria de estreitar nosso contato em vias de pensarmos e articularmos, quem sabe, uma reflexão e/ou produção em parceria. Um abraço. Jeferson Retondar

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