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Archive for março \19\UTC 2008


Sempre que eu saio por aí, pronta para falar de psicanálise e esporte, alguém pergunta: mas você é psicóloga? Não, não sou psicóloga, não sou psiquiatra, não sou psicoterapeuta. Existem muitos “psicos” espalhados por aí: a psicobiologia, a psicoacústica, a psicofarmacologia, a psicocinese, a psicofísica, a psicocultura, a psicografia, o psicodélico, a psicodinâmica, o psicodrama, a psicofisiologia, a psicogenia, a psicognosia, a psicolingüística, a psicomancia, a psicomotricidade; os que eu me lembro de memória. Eu mesma, sou bacharel em Educação Física e a psicanálise é, para mim, um embasamento epistemológico.

Para citar nomes, a Educação conta com uma obra vasta do Rubem Alves. Nem todos o associam à psicanálise, mas basta pegar uma de suas crônicas publicadas nos jornais de Campinas, ou um de seus livros para entender o quê, epistemologicamente, eu estou querendo dizer. Tostão – sim, o jogador de futebol e crônista esportivo – formou-se em medicina e até chegou a fazer formação em psicanálise. Ele não se julga psicanalista, mas ela está lá, no pano de fundo de seus textos, no pano de fundo do seu jeito de ver o mundo, e o futebol.

Epistemologia (segundo Houaiss): 1. reflexão geral em torno da natureza, etapas e limites do conhecimento humano, especialmente nas relações que se estabelecem entre o sujeito indagativo e o objeto inerente. 2. estudo dos postulados, conclusões e métodos dos diferentes ramos do saber científico, ou das teorias e práticas em geral.

Psicanálise: a base epistemológica do “meu” esporte. Ou melhor, das minhas reflexões sobre o esporte.

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Eu sempre brinco que a psicanálise, de fato, não é ciência. É um jeito de ver o mundo. No Brasil, a psicanálise ganhou foco junto com os modernistas na Semana de 22. Chegou com a literatura, o que faz todo um sentido já que ela, como as letras, depende da linguagem. Também a psicanálise depende de ser letra. Fonema, som, inconsciente. Recordada a afirmação de Freud de que tudo depende da linguagem, Lacan vai mais longe ao dizer que o próprio inconsciente é estruturado como tal. Língua. Alíngua. O fato é que fala-se em nome de um sujeito (do inconsciente) e não em nome das teorias desenvolvimentistas. E esta é a maior contribuição da psicanálise ao esporte, na medida em que este novo olhar sobre o sujeito traz à baila não apenas um corpo biológico que realiza ações esportivas, mas também um corpo pulsional, que deseja.

Freud vai dizer que o conjunto da atividade psíquica tem por objetivo a busca do prazer e a fuga ao desprazer, sendo que disso resulta que todas as representações associadas às lembranças de experiências desagradáveis tendem a se excluírem do plano da consciência. Assim, no que tange ao esporte, a psicanálise, diferindo-se das teorias desenvolvimentistas, privilegia não a repetição de gestos técnicos, mas a repetição do inconsciente, enfatizando, principalmente as questões relativas ao desejo e ao prazer como princípios que constituem o sujeito e que, por fim, influencia a prática esportiva.

O que se pode tirar disso, é que o inconsciente (estruturado enquanto linguagem) se repete e se traduz num modo de ser do sujeito. É, pois, a janela por onde ele vê o mundo. No esporte esta repetição também se manifesta, e de forma involuntária. É aí que se pode vislumbrar a máxima da psicanálise no esporte, no fato de que o sujeito, no caso o atleta, só pode se dar conta de um fato quando ele é falado. Novamente a questão da linguagem.

Sempre que um sujeito fala, há um outro que o escuta. E é por este outro, também, que o corpo existe em psicanálise, no sentido dele ser habitado pela linguagem – e uma das contribuições básicas de Lacan refere-se ao processo da passagem da criança do reino animal para o reino humano, passagem esta que se efetua pela instauração da ordem simbólica, a se definir como formalmente igual à ordem da linguagem. É justamente através da aquisição da linguagem que as experiências corporais tornam-se significativas, codificam e se estruturam. Um atleta, por exemplo, precisa reconhecer aquele corpo como sendo seu corpo, e ele só poderá faze-lo através da linguagem, ou seja: estas pernas longas e finas me pertencem, este sou eu; nomeação que se traduz em representações simbólicas.

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Boas Vindas

Eu queria, aqui, dar-lhe as boas vindas a este blogue [sim, aportuguesando] criado para repor o sítio [sim, abrasileirando] http://www.esportepsi.hpg.com.br, hospedado pelo IG desde 2003.O projeto ficou parado nos últimos tempos devido problemas com hospedagem, até que caí no gosto dos blogues. Enquanto eu ia testando esta nova forma de comunicação com o Café Docente, mais crescia a idéia de me tornar blogueira, e das boas. É que esta linguagem próxima do leitor, que possibilita comentários, que traz o dia-a-dia, trata-se de uma ferramente rica, além de co-existir com a idéia de comunidade, de fidelidade, de ser a favor ou ser do contra. E porque eu sempre questionei o modo de escrever ciência, e de divulgá-la, por certo que os blogues seriam a minha salvação.

Então cá estou, mantendo o próposito de tornar este um espaço para estudos psicanalíticos em Educação Física e Esportes. Trouxe do sítio anterior:

* alguns textos [aba Textos Publicados];
* uma lista de referências [aba Bibliografía Específica].

Preparei um texto Quem Sou (lincado na barra superior), contando um pouco do meu percurso, como eu cheguei até aqui e para onde pretendo ir. Este item será complementado com a aba Álbum, onde pretendo contar mais um pouco da minha história através de algumas imagens. Estará no ar em breve e espero que gostem.

Sem mais delongas, faça uma boa visita (ah, e não esqueça de participar comentando, opinando ou assinando feeds).

Um abraço,
Fernanda

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